Que bola?
O menino já estava perdendo a paciência. Como escrever um texto sobre a bola? A redação era para o dia seguinte, já eram seis da tarde e ele nem tinha começado.
Estava sem ideias, já fizera tudo para se sentir inspirado, mas as ideias simplesmente não surgiam. Poderia escrever um texto sobre a origem da bola, quem sabe.
Internet.
Google.
Origem da bola.
Pensando melhor, quem iria querer saber que existem desenhos de bolas em cavernas há mais de 5.000 anos? Ninguém. Será que o texto ficaria bom se ele mencionasse a presença da bola em civilizações como os Romanos, Maias e Gregos? Não.
Melhor fazer uma história fictícia então. Bom, que tal uma história sobre um mago que tem bolas mágicas? Hum... não. Alienígenas que tem naves em formato de bola? Ridículo. Joãozinho acha uma bola dos deuses ?“não vó, obrigado pela ideia”.
Seis e meia, e nem o título estava pronto. Também havia a opção de escrever sobre os tipos de bola. Mas não, ele também não queria passar horas listando as dezenas de tipos de bola que existem, cada uma com um tamanho e peso diferente.
Melhor então dizer para a professora que o cachorro comeu o dever. Não, isso é errado e ela nunca acreditaria. Que tal então uma história sobre a história, tipo metalinguagem? Perfeito, é isso que ele faria.
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